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Oferta de frango 9% maior limita preços mesmo com exportações 17,1% acima de 2025
17/09/2026
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Produção maior e oferta doméstica elevada reduziram o espaço para reação das cotações, apesar do aumento das vendas externas no acumulado do ano.
O mercado brasileiro de carne de frango encerrou agosto com pouca reação dos preços. A ave inteira congelada no atacado de São Paulo teve média de R$ 7,19 por quilo, queda de 0,3% em relação a julho e de 1,2% na comparação com agosto de 2025.
Segundo o Agro Mensal de setembro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a elevada disponibilidade de carne no mercado interno continua limitando a recuperação das cotações.
A competitividade do frango diante da carne bovina favorece a demanda, mas não foi suficiente para compensar o aumento da oferta. No primeiro semestre, a produção de carne de frango cresceu 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com o aumento do peso das carcaças ampliando o efeito do crescimento dos abates.
Abates maiores ampliam disponibilidade no mercado doméstico
Os dados preliminares de julho mostram crescimento de 4,4% nos abates em relação a julho de 2025.
Mesmo com o desempenho das exportações, essa combinação resultou em uma oferta interna de carne quase 9% maior na comparação com agosto do ano passado, segundo a análise do Itaú BBA.
Esse excesso relativo de produto ajuda a explicar por que os preços domésticos permanecem próximos da estabilidade, mesmo com a carne de frango mantendo vantagem de preço em relação ao dianteiro bovino.
Exportações avançam 17,1% no acumulado do ano
No mercado externo, o comportamento é diferente. As exportações brasileiras somaram 480 mil toneladas em agosto, queda de 5,1% ante julho, mas alta de 25,6% sobre agosto de 2025.
A comparação anual é influenciada pela base de 2025, quando diversos países impuseram restrições às compras de carne de frango brasileira após os casos de gripe aviária.
Ainda assim, o desempenho acumulado confirma o avanço dos embarques. De janeiro a agosto, as exportações cresceram 17,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Preço externo sustenta spread de 46%
Além do aumento dos volumes, o mercado externo mantém preços mais firmes. O preço médio das exportações em agosto ficou 12,2% acima do registrado no mesmo mês de 2025.
Com preços internacionais sustentados e custos de produção ainda controlados, o spread das exportações chegou a aproximadamente 46% em agosto. O indicador ficou três pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.
O resultado contrasta com o mercado doméstico, onde o aumento da oferta vem reduzindo a rentabilidade da cadeia.
Margem doméstica recua de 36% para 32% em um ano
O spread entre o preço da ave abatida no atacado e o custo de produção da avicultura caiu para 32% em agosto. Um ano antes, estava em 36%.
A diferença mostra a pressão que a maior disponibilidade de produto exerce sobre as margens no mercado interno. Enquanto as exportações preservam uma relação favorável entre preço e custo, a formação de preços domésticos continua limitada pela oferta.
Frango sobe 4% no início de setembro
Apesar da estabilidade observada nos meses anteriores, as cotações começaram setembro em recuperação. Na primeira semana do mês, os preços avançaram cerca de 4%.
O movimento ocorreu em período semelhante ao observado em 2025 e encontra suporte na competitividade do frango frente à carne bovina e na proximidade do período de maior consumo no fim do ano.
Para o Itaú BBA, porém, uma valorização mais consistente dependeria de redução da oferta doméstica ou de um crescimento ainda mais forte das exportações.
Milho e farelo mantêm custos sob controle, mas El Niño aumenta risco
No curto prazo, a disponibilidade interna de milho e farelo de soja mantém um ambiente favorável para os custos da avicultura.
O cenário pode mudar conforme avance o El Niño. A consolidação do fenômeno aumenta os riscos para as safras de verão e para a safrinha de 2027, elevando a necessidade de estratégias de proteção contra possíveis altas nos preços dos grãos.
Ao mesmo tempo, a expectativa de crescimento das exportações de carne de frango em 2026 permanece, mesmo diante da provável redução dos embarques para a União Europeia. Segundo o Itaú BBA, parte desse volume pode ser direcionada a outros mercados.
Fonte: O Presente Rural
Créditos de imagem: Banco de imagens ASGAV





